ECOS#1 _ 12 – 14 JULHO 2013

Que influência é que a paisagem sonora tem no nosso quotidiano? Sendo nós responsáveis pela maior parte da emissão sonora dos espaços que habitamos, como é que pensamos e “desenhamos” a paisagem sonora da nossa cidade?

O ponto de encontro é no palácio Sinel de Cordes (casa da Trienal de Arquitectura de Lisboa). De tarde, o artista sonoro/músico Carlos Santos propõe uma oficina sobre territórios aurais e à noite projectam-se os filmes “Listen” de David New e “The Conversation” de Francis Ford Coppola. Ainda na sexta, ouvem-se os resultados do 1º OPEN CALL de rádio programado pelo artista/editor Paulo Raposo e abrimos com uma festa no jardim do palácio.

O primeiro fim-de-semana ECOS convida-nos a pensar sobre as paisagens sonoras de Lisboa através de um passeio de barco rebocador pelo rio Tejo até ao centro do tabuleiro da ponte 25 de Abril. Domingo no Panteão Nacional, os músicos Ernesto Rodrigues (viola de arco), Bertrand Gauguet (saxofone) e Ricardo Guerreiro (electrónica), vão explorar as características acústicas e simbólicas deste monumento através da improvisação musical “near silence”.

Para acompanhar ao vivo ou através da rádio Stress.fm., uma conversa entre todos os convidados moderada pela investigadora e realizadora Raquel Castro acontece no sábado após o passeio acústico pelo rio Tejo.


SEXTA-FEIRA / 12 JULHO

FILMES / LISTEN (David New) + THE CONVERSATION (Francis Ford Coppola) / 21.30H /Trienal de Lisboa / Palácio Sinel de Cordes

schafer

LISTEN
2009 / cor / 6´21´´
Realização / David New

“Uma paisagem sonora é toda e qualquer colecção de sons, tal como uma pintura é uma colecção de atracções visuais” diz o compositor R. Murray Schafer. “Quando se ouve atentamente a paisagem sonora, ela torna-se milagrosa.”


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THE CONVERSATION
1974 / cor / 113´
Argumento e Realização / Francis Ford Coppola
Actores / Gene Hackman, John Cazale, Allen Garfield

Um paranóico vigilante secreto tem uma crise de consciência quando suspeita que um casal que está sob a sua escuta será assassinado.

FESTA / DJ SET: TRA$H CONVERTERS / 23.30h / Jardim do Palácio Sinel de Cordes

trash converters

The TRA$H CONVERTERS team (M.Sá and FAD!GAZ) shows the playful side of the record label VARIZ positing an unusual Electro-Space-Disco-Noise-Techno-Pop-Acid-House DJ set.

“The TRA$H Converters duo, Miguel Sá and Fernando Fadigas, has fun recycling Pop Trash by means of saturated electronics and everyone rocks to it.” – Vitor Belanciano in Y, Público.

“Miguel and Fernando, the Batman and Robin of Portuguese electronica? Well that’s the abiding memory of this swashbuckling duo who made their Dublin debut performances. [...] From small steps to leaps and bounds. This is the beginning. ” – Michael McDermott, A Dublin Odyssey.

SÁBADO / 13 JULHO

PASSEIO ACÚSTICO / PONTE 25 ABRIL / 17h / Cais da Rocha Conde Óbidos

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Convidamos o público a realizar um passeio acústico no Rio Tejo, levando-o ao centro do tabuleiro da Ponte 25 de Abril. Esta visita realizar-se-á a bordo de um barco Rebocador e terá uma duração aproximada de 1h.

Número máximo de participantes: 20

*Devido à imprevisibilidade do trânsito fluvial de Lisboa, o horário do passeio poderá sofrer ligeiras alterações. Pedimos aos interessados para deixarem os seus contactos de forma a serem informados dessa eventualidade bem como poderem receber um mapa para o ponto de encontro.

CONVERSA / RAQUEL CASTRO + convidados / 19.30h / Streaming : www.stress.fm
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RAQUEL CASTRO – MODERADORA

CONVERSA COM: PAULO RAPOSO / CARLOS SANTOS / CARLOS ALBERTO AUGUSTO / MOHAMMED BOUBEZARI

Enquanto ouvir é apenas o acto de detectar um determinado som, escutar refere-se a um estado de atenção activa e de reacção ao significado que um som pode conter. Escutar é, então, o complemento activo do acto de ouvir, o processamento de informação sonora que é potencialmente significativa para o cérebro.Assim, é escutando que podemos sentir os acontecimentos da vida, partilhar símbolos culturais, estimular emoções, comunicar eficazmente, construir relações sociais, experienciar o movimento do tempo e reter memória das experiências.

As paisagens sonoras são manifestações de sistemas rítmicos, assentes nas dimensões tempo e espaço, essenciais ao mundo sonoro. Aquele que pretender debruçar-se sobre o assunto, deve manter os ouvidos abertos, não apenas perante palavras, discursos ou ruídos, mas deve ser capaz de ouvir uma casa, uma rua ou uma cidade como se de uma composição musical se tratasse. Os sons de uma cidade são tão evocativos como o cheiro; mesmo nas horas silenciosas há sempre o murmúrio de uma cidade que fala consigo própria e que se mantém activa, sempre.

O estudo de paisagens sonoras envolve áreas tão diferentes como a acústica, psicoacústica, otologia, audiologia, práticas de diminuição do ruído, comunicação e engenharia de gravação do som (electroacústica e música electrónica), padrão de percepção aural e análise estrututural do discurso e da música. Cada uma destas áreas lida com diferentes aspectos da paisagem sonora e procura responder às mesmas questões: “qual é a relação entre o homem e os sons do seu ambiente e o que é que acontece quando estes sons mudam? A paisagem sonora do mundo é uma composição indeterminada sobre a qual não temos nenhum controlo ou somos nós os seus compositores e performers, responsáveis pela sua forma e beleza?

DOMINGO / 14 JULHO

CONCERTO / E. RODRIGUES + R. GUERREIRO + B. GAUGUET / 19h / Panteão Nacional
concerto_ecos
ERNESTO RODRIGUES _ VIOLA DE ARCO
BERTRAND GAUGUET _ SAXOFONE ALTO
RICARDO GUERREIRO _ ELECTRÓNICA

Ernesto Rodrigues (viola), Bertrand Gauguet (saxofone) e Ricardo Guerreiro (computador) marcam encontro com os silêncios do Panteão Nacional para um momento sem percurso nem destino pré-definidos.

12 – 13 – 14 JULHO

OFICINA / CARLOS SANTOS / 14 às 18h / Trienal de Lisboa / Palácio Sinel de Cordes
estufa

TERRITÓRIOS AURAIS_Prácticas artísticas sonoras

“Durante vinte e cinco séculos, o conhecimento ocidental tentou observar o mundo. Fracassou no sentido em que o entendimento do mundo não é observável. É audível… Agora temos que aprender a julgar uma sociedade através do seu ruído.”

Jacques Attali

A forma dominante de pensamento para a apreensão e entendimento de uma sociedade têm-se mantido practicamente inalterado, revelando quase sempre a utilização de processos onde a observação desempenha o papel primordial na contemplação do seu espectáculo. O olhar tem sido constantemente identificado como a base da sua compreensão e reflexão. As diversas metáforas que nos permitem invocar o modo de funcionamento de uma sociedade estão habitualmente ligadas a este sentido dominante, em detrimento de outros que de igual importância, são relegados para segundo plano, estreitando assim a nossa percepção.

O aspecto sonoro na vida das sociedades tem vindo a ganhar, pelo menos no último século, com a pesquisa social, a par do desenvolvimento tecnológico, uma importância cada vez maior, sendo actualmente um dos motores de conhecimento. As sociedades modernas, os aspectos da vida urbana, a geografia social, a antropologia, mesmo a história, nas suas prácticas, utilizam cada vez mais a percepção sonora, a escuta, a análise do património sonoro, como ferramentas de reflexão e compreensão. O som impôe-se assim como um vector importante na moldura mais ampla do conhecimento.

No caso mais particular desta oficina em formato workshop, de cariz artístico, a metedologia seguida assenta sobre um conjunto de prácticas sob a forma de exercícios, cuja finalidade assiste a intenção de criar uma nova noção de território mediado pelo som.

A vibração como fenómeno fisíco, ajuda-nos a revelar uma imagem do espaço em duas vertentes, como matéria e memória. O espaço habitado pelo som, contaminado pelo eco de outros espaços, permite-nos abarcar uma noção de território mais extensa, liberta das barreiras sociais e políticas, redesenhando a geografia, a arquitectura, em suma, o social.

OBJECTIVOS

Estabelecer e construir um conjunto de objectos artísticos que privilegie a produção e preservação de fenómenos acústicos e narrativas sonoras como elementos fundamentais da construção e identidade da cidade e do espaço urbano.

Valorizar a importância da vertente educativa e cultural no sentido que o património sonoro é indissociável da nossa vivência quotidiana e cultural, e não pode ser inextricável da imagem. Antes, constitui um elemento imprescíndivel que conforma e constrói a nossa identidade diferenciadora.

Reflectir, investigar e produzir processos de mapeamento e cartografia, mediante processos mediacionais acessíveis a todos, considerando em particular as questões do espaço público e privado, da presença, memória e identidade.

Explorar o conceito de paisagem – como processo construtivo, humano, pelo qual as nossas experiências e percepções são inextricavelmente ligadas ao mundo que nos rodeia e à nossa posição dentro dele. Permitir novos modos de construir as nossas realidades, narrativas, trajectórias e paisagens individuais e sociais.

Facilitar o acesso generalizado através da produção de um arquivo sonoro que possibilite diferentes usos: investigações artísticas, sociais e políticas, que sublinham a importância do património imaterial da humanidade.

PÚBLICO

Todo o público em geral, mas principalmente artístas, investigadores ou outros interessados nas problemáticas do social em confrontação com a paísagem, numa vertente artística onde o som desempenha o papel primordial.

Todos os participantes devem dentro do possivel trazer meios quer permitam gravar/capturar som (gravador audio digital, ou telemóvel com gravação audio de qualidade, ex: iPhone ou android similar) assim como um par de headphones ou auriculares.

OPEN CALL - RADIO PROJECTS / PAULO RAPOSO / “How to get lost and start listening”
radio paulo raposo

“How to get lost and start listening”

“The ear knows this space. I can put the ear on the other side of the window, projecting it great distances, holding it at a great distance from the body. Lost, dissolved in the transparent air, fluctuating with its nuances, sensible of its smallest comas, shivering at the least derision, set free, mingled with the shocks of the world, I exist.” (Michel Serres, Les cinq Sens)

The headquarters of the project and the radio studio is located in the old medieval part of Lisbon giving the motto “How to get lost and start listening”. The surroundings of Alfama, with its intrincate labyrinth of narrow streets, secret passages and unforseen connections, promotes and enhances an experience of disorientation, wandering, walking in circles and ultimately getting lost and disconnected.

Despite the economical and political pressures on urban renewal – this territory invites memory, history, reflection, bringing public and private space to find a tensionless continuum in its constellation of concatenated spaces that fluidly merge the interior and the exterior. Escaping a linear narrative, it is an organic palimpsest where the dispersed and reflected sounds ghostly recirculate and activate new forms of awareness, different perceptual matrixes and spatial coordinates.

This radio project aims to investigate topographies and geographies, social and cultural narratives through poetic imagination, arising the possibility for a deeper commitment with the landscape, the architectural space and the community.

The selected works will be broadcast and streamed by stress.fm between 12 and 14 of July.


PARTICIPANTS

Participant Project Participant Project
Ana Gandum Don't hertz me no more Anastasya Koshkin Still Forrest
André Avelãs Two frequency sweeps & one oscillator on elevated asphalt floor for radio André Avelãs Two frequency sweeps & one oscillator on elevated asphalt floor / janitor cleaning on the background
André Tasso Banho Maria Atilio Dooreste + Juan Matos leper colony radio emission
Aurélie Lierman Kariakoo Balam Ronan Tilaco – Landa de Matamorros
Brian D. McKenna Winnipeg Beach Constantine Katsiris Missing Soffits
D. Burke Mahoney Familiar Spirit Darius Ciuta brR
Darius Ciuta iiiiii Diana Combo Freie Rhythmen
DinahBird lovelylightbluelorette Dixie Treichel Martian Evening
DORESTE/MATOS LEPER COLONY RADIO EMISSIONS Eric Boivin Distorted Memories
Fernando Fadigas Cisterna_FBAUL2013 Fernando Fadigas+Rogério Taveira Jardim Botânico-MUHNAC
Furchick Musique Petit Singe Furchick Water
Gabi Schaffner Five Hours in a Fake Forest with a Bee Swarm Gerard Lebik Marek Brandt Owińska 26.06.2013
Gintas K echo siudbi GMURDA Cisterna da Bateria Militar da Trafaria
Ilinca Stihi Rebecca Jason Bolte Child's Play
Jean-Philippe Renoult Blowing With Ghosts Jean-Philippe Renoult Radio Utopia
João Bento – Tiago Gandra Aqui Dentro João Bento TELEFÉRICO
Johanna Hällsten Catherine Clover Calls from Blethenal Green John F. Barber Between Sleep and Dreams
John F. Barber Ambient Pulsationos John F. Barber Contact
John Tenney Forest José Pastor Radiutopia 2345
Joshua B. Mailman and Luke T. Taylor Parallel Soundscapes -part 1 Joshua B. Mailman and Luke T. Taylor Parallel Soundscapes – part 3
Kevin Logan Dj Pedagog @ Copy Kim Cascone Lunargauze alchemy
Knut Aufermann & Sarah Washington clock Luís Antero Apiário
Marco Scarassatti noite – dia – noite: aldeia do brejo / território xacriabá / são joão das missões Margaret Nobel Non/Phenomena
Miguel Lucas Mendes Thai sound Miguel Cardoso + Paulo Raposo a seguir à barbárie
Myriam PRUVOT NIEBLA 1 Myriam PRUVOT NIEBLA 2
Nuno Rosa radio Osvaldo Cibils soundart14may2013
Pablo Sanz Green Line (Maghrib prayer) Peter Lenaerts Stills & Postcards From The Centre
Peter Memmer Sounds like Amerika Renata Roman Paisagens e Poéticas
Ricardo Huisman objective listening Ricardo Webbens Inctura
Rodrigo Gobbet Remote iMpLo1 Sabrina Siegel 8 plus two
Santa Ana Várias amantes furiosas Sarah Boothroyd Gleeful Barbarians
Sarah Boothroyd Rabble Rousers Sebastiane Hegarty hatch
Sol Rezza Shorts for Radio 02 Steve Peters Airforms.1 (stratocumulus)
Steve Peters Morning Ragas Tiago Morais Morgado (i)mateiral void
Toni Dimitrov Lazaropole Treichel Martial Evening
Victoria Trinder The First Few Yannick Dauby echoes from the archipelago
Wes Kline Tauric Schema #3 Xesús Valle coisas perdidas no tempo e no espaço

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