CATARINA BOTELHO

“Um livro extra-terrestre”


“O que acontece quando decidimos olhar tudo o que nos rodeia, aquilo que vemos todos os dias, como se como se fosse a primeira vez? como se nunca tivéssemos aprendido o nome das coisas, para que servem, como se nunca lhe tivéssemos tocado a superfície ou escutado os seus sons?

Um livro extra terrestre propõe uma viagem pelos lugares onde vivemos, como se fossemos a uma terra estrangeira, longínqua. Num apelo a uma observação atenta, procura-se um movimento que nos desloque, que nos mova.

Esta proposta invoca o conceito de sociologia da imagem, de Silvia Rivera Cusicanqui, que a pensadora define como o uso de métodos de análise e pesquisa que os antropólogos visuais ocidentais aplicam a culturas e povos que lhes são estranhos, numa metodologia de raiz colonial, ao nosso próprio quotidiano. Uma chamada a desfamiliarizar, a desaprender, a estranhar, como forma de análise e conhecimento mais aprofundado e crítico da sociedade em que vivemos, daquilo que de alguma forma somos ou reproduzimos.

O enunciado da actividade foi elaborado para cativar um público infantil, em que cada participante é convidado a vestir a pele de umx extra terrestres acabadx de chegar à Terra. Mas este é um desafio para o qual gostaríamos de convidar pessoas de todas as idades a aderir.”

“Um livro extra-terrestre”  por Catarina Botelho


Conversa para rádio
Conversa entre Catarina Botelho e António Júlio Duarte

“No livro Sociologia da Imagem, de Silvia Rivera Cusicanqui, defende uma disciplina que se apropria de métodos de análise e pesquisa que os antropólogos visuais ocidentais aplicam a culturas e povos que lhes são estranhos, uma metodologia de raiz colonial, ao nosso próprio quotidiano, à nossa própria cultura. Uma chamada a desfamiliarizar, a desaprender, a estranhar, como forma de análise e conhecimento mais aprofundado e crítico da sociedade em que vivemos, daquilo que de alguma forma somos e reproduzimos.

Esta proposta será o ponto de partida para uma conversa entre xs fotógrafxs António Júlio Duarte e Catarina Botelho, sobre os seus processos de trabalho, a relação com os temas e as formas de abordagem, nos seus trabalhos.”

Emissão
Conversa emitida ao longo das duas semanas.


Catarina Botelho (Lisboa, 1981) artista visual e realizadora, vive e trabalha entre Lisboa e Barcelona. Desde 2005 participou em várias exposições, residências e prémios em Portugal, Espanha e Brasil, entre outros. O seu trabalho relaciona-se com os usos e vivências dos espaço, arquitectura e as as noções de tempo produtividade.
Atualmente é residente na Escocesa – Fábrica de Criação em Barcelona e recentemente recebeu a bolsa de apoio à criação da coleccção “La Caixa” Arte Contemporânea.
Catarina Botelho expõe regularmente desde 2005 em lugares como: Elba Benitez en Kvadrat, Madrid; Sesc Pinheiros, São Paulo; Villa Iris , Fundación Botín, Santander Hamburg Haus der Photographie, Hamburgo, Fundação Edp – Museu da Electricidade, Lisboa; Centre de Cultura SaNostra, Palma de Mallorca; Fundação Gulbenkian, Lisboa; Casa de Serralves – Fundação de Serralves, Oporto; La Casa Encendida, Madrid y Caja Madrid, Barcelona. Licenciou-se pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e estudou fotografia na escola ArCo e no âmbito do Programa Criatividade e Criação Artística da Fundação Gulbenkian. Recentemente terminou o Programa de Estudos independentes do Macba – Museu de Arte Contemporânea de Barcelona .

FRANCISCA AIRES MATEUS

“A voz do Jaguar”

Este projecto parte do conto “Um rei à escuta” de Italo Calvino para explorar a ideia da voz enquanto som separado da sua intrínseca relação com qualquer significado.

Voz: Leonor Robert

Emissão
Leitura do conto “Um rei à escuta”, seguido da peça a “A voz do jaguar”, em 5 “momentos”, ao longo das duas semanas.


Francisca Aires Mateus (1992) nasceu em Lisboa, Portugal, onde vive e trabalha atualmente. Aires Mateus concluiu o seu mestrado em Artes Plásticas na Slade School of Fine Arts – University College London com Distinção em 2017. Em 2015 formou-se em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Francisca concluiu também em 2014 um LRSM: Licenciatura em Violino pelo Associated Board of the Royal Schools ofMusic.
Francisca foi recentemente nomeada para o Prémio Sonae Media Art, que será entregue em Novembro de 2019. Em 2017, foi premiada com uma bolsa integral para uma residência artística na Academia de Artes Visuais da Hong Kong Baptist University. No mesmo ano, foi nomeada para o Max Webern Drawing Award. Em 2016, recebeu uma bolsa de estudos integral da Fundação Calouste Gulbenkian e foi uma das vencedoras do concurso Arte Jovem 2016 da Carpe Diem Arte e Investigação.

GRÉMIO CALDENSE

“Solos, receituários e entrevistas”


Sendo essencialmente um colectivo que se dedica à programação cultural, o Grémio Caldense vê nesta residência a oportunidade de criação de projectos sonoros inspirados no trabalho, colaborações e afinidades que desenvolveu até agora. O colectivo vai apresentar, durante este período, um conjunto diversificado de momentos de escuta que irá desde o registo de passeios sonoros e de paisagens urbanas, à recolha de pequenas conversas e entrevistas, bem como um ciclo de solos de improvisação livre gravados para este contexto. A natureza desta residência assenta assim na colaboração com um conjunto alargado e heterógeneo de intervenientes e convidados, como são exemplo os habitantes de S Gregório, os transeuntes Caldenses, as crianças do nosso círculo de amigos, os músicos da nossa rede de programação, e a relação deste conjunto de pessoas com a cidade, a aldeia e os espaços que vivemos e temos vindo a ocupar nos últimos anos de actividade.

Emissão
Segunda a sexta a partir das 20h00 ao longo das duas semanas.


Grémio Caldense (2015) é um grupo informal sediado em Caldas da Rainha, que se dedica à promoção de eventos culturais de natureza artística. A funcionar desde Maio de 2015 e com uma periodicidade praticamente quinzenal, este colectivo organizou até ao presente momento cerca de uma centena e meia de eventos de carácter essencialmente alternativo, diferenciados entre concertos, feiras de edição independente, sessões de cinema e poesia, performances e
exposições de artes visuais. Sem sede fixa para as suas actividades, actua numa diversidade de espaços da cidade, desde museus a espaços públicos reutilizados, dos mais convencionais aos mais improvisados, sendo vários os parceiros com quem já colaborou, instituições públicas, entidades privadas e outros grupos associativos.
Pela presença muito equilibrada entre artistas nacionais e estrangeiros na sua programação, o grupo tem colocado as Caldas da Rainha num circuito internacional ligado à cultura artística de carácter contemporâneo e independente.

LOBO MAU

Conversas e música ao vivo com as vozes de Lília Esteves e David Jacinto, guitarra de Gonçalo Ferreira e os seus convidados.


Apresentação do projeto Lobo Mau, escuta integral do primeiro álbum de originais (uma música do disco por sessão) e excertos de conversa/entrevista com todos aqueles que participaram na gravação, concepção do disco e material promocional.

Emissão
A ser apresentado ao longo das duas semanas, em 9 segmentos.

Com Lília Esteves, Gonçalo Ferreira, David Jacinto, Dino Récio, João Pinheiro, Manuel Pinheiro, Bernardo Barata, Ricardo Jacinto, António Quintino, David Santos, João T. Tavares, Ricardo Oliveira e Vasco Viana.


Lobo Mau (2017), Gonçalo Ferreira (guitarra), Lília Esteves (voz, guitarra) e David Jacinto (voz, harmónica) Colectivo de músicos cujo trabalho assenta na ideia de total partilha autoral na composição de obras literário-musicais que englobam o rock independente e a canção popular portuguesa. Guitarra eléctrica, duas vozes e as histórias e vivências que caracterizam os seus timbres, servem de mote a todo um processo criativo de extrema partilha que tem vindo a resultar num repertório original.
Depois de estarem em residência na OSSO em 2018, onde realizaram recolhas de depoimentos orais… e sua integração no processo criativo de composição de canções.

MADALENA MATOSO

“Minúsculo, Gigante”


Caderno de atividades
Uma oficina com pequenas propostas de observação, escuta e desenho que podem ser feitas a partir de casa e que nos transportam para fora dela e para diferentes pontos de vista.

“Minúsculo, gigante” por Madalena Matoso


Pequenas instruções de desenho
Propostas de exercícios de desenho através da voz e de sons. 
Há uma voz que dá indicações sobre coisas que servem para ser vistas e não para ser ouvidas. A voz descreve grafismos, paisagens e animais de forma pormenorizada mas, quem a ouve não tem acesso às imagens descritas e, mesmo seguindo com todo o rigor as indicações dadas, criará as suas próprias imagens — que têm como ponto de partida a imagem que a voz descreve mas  que são inevitavelmente transformadas por quem a ouve.
Tentativa amadora (e falhada) de copiar uma imagem através da voz e o processo inverso.

Emissão
Terça-feira, dia 30 – das 19h00 às 19h15
Quarta-feira, dia 01 – das 19h00 às 19h15
Quinta-feira, dia 02 – das 19h00 às 19h15


Madalena Matoso (Lisboa 1974) estudou Design de Comunicação na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e pós-graduou-se em Design de Gráfico Editorial pela Faculdade de Belas-Artes de Barcelona.
Em 1999 criou com três amigos o Planeta Tangerina, atelier de ilustração e design gráfico.
Em 2006 o Planeta Tangerina começou também a editar álbuns ilustrados.
Com os livros “Uma Mesa É uma Mesa. Será?”, “Quando Eu Nasci” e “Andar por Aí” recebeu menções especiais no Prémio Nacional de Ilustração (todos editados pelo Planeta Tangerina e com textos de Isabel Minhós Martins, em 2006, 2007 e 2009 respectivamente). Em 2008 recebeu o Prémio Nacional de Ilustração pelo livro “A Charada da Bicharada”, editado pela Texto Editores com texto de Alice Vieira.

OSSO COLECTIVO

Ao longo desta edição iremos dinamizar conversas de rádio com os restantes artistas em residência, teremos microfones abertos nas imediações dos nossos estúdios na aldeia de São Gregório, e apresentaremos uma selecção do arquivo de música e peças sonoras do colectivo.

Emissão
conversa com Catarina Botelho e Madalena Matoso – dia 27 de Junho às 17h00;
conversa com Francisca Aires Mateus e Pedro Tropa – dia 4 de julho às 17h00;
conversa com Grémio Caldense e Lobo Mau – 11 de julho às 17h00.


OSSO colectivo (2006) A OSSO é um colectivo que inclui artistas e investigadores de diferentes áreas (música e artes sonoras, artes plásticas, dança, performance, design, arquitectura e cinema). Desde 2012, tem vindo a desenvolver a sua actividade em torno do apoio à criação, programação e investigação predominantemente transdisciplinar, em colaboração com outros artistas e colectivos, suportada por parcerias com instituições públicas e privadas.

Os seus projectos, de cariz acentuadamente experimental, procuram explorar práticas artísticas em articulação com um pensamento crítico, estético e político que contemple a especificidade dos contextos e territórios nos quais se inserem.

A OSSO está neste momento a desenvolver um projecto de Residências Artísticas na aldeia de São Gregório, no concelho de Caldas da Rainha. Este programa compreende um conjunto de actividades de criação, investigação e programação artística em articulação com parceiros locais, nacionais e internacionais. Este projecto pretende ser ponto de encontro entre artistas e público, dialogando activamente com a comunidade, através de oficinas, projecção de filmes, concertos, performances, exposições, leituras e toda e qualquer forma de diálogo reflexivo que implique, para além de uma comunidade criadora, uma comunidade crítica.

PEDRO TROPA

“Observar é falar. Desenhar é respirar. Imaginar é caminhar”

Uma oficina de desenho em torno da paisagem de São Gregório.

“3 exercícios 3 desenhos” por Pedro Tropa


MATÉRIAS SIMPLES
um ecossistema de objectos radiofónicos

Matérias Simples é um ecossistema de pequenas peças sonoras feito para ser transmitido por rádio.
Reúne um conjunto de leituras e sonorizações que se cruzam deliberadamente, entre assuntos focados na palavra e na sua força expressiva;
e as formas sonoras intersticiais e electrónicas que são o chão ressoante, as inclinações e
as orografias.

Autores abordados: Carlos de Oliveira, Euclides, E.M. Forster, Fiama Hasse Pais Brandão, entre outros.

Teresa Santos / Locução
Pedro Tropa + João Pimenta Gomes / electrónica

Emissão
Segunda-feira 29.06 — 22h
Quinta-feira 2.07 — 22h
Segunda-feira 6.07 — 22h
Quinta-feira 9.07 — 22h


Pedro Tropa (Santarém, 1973) Vive e trabalha em Lisboa.
Pedro Tropa é artista e fotógrafo. Fez a sua formação em Desenho e Fotografia no Ar.Co e foi bolseiro da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento na School of The Art Institute of Chicago, EUA. Há cerca de uma década que o seu trabalho em fotografia, desenho, texto, som está fortemente ligado à sua prática enquanto montanhista. Pertence desde 2009 ao grupo de artistas da Galeria Quadrado Azul.
É professor desde 2007 e actualmente é o responsável do departamento de Fotografia do Ar.Co – Centro de Arte de Comunicação Visual. Desde 2019 tem vindo a colaborar com João Pimenta Gomes e Teresa Santos num projecto colectivo criando um trabalho de ligação entre as artes sonoras e as artes visuais.

Publicações:
Lugares de Sophia, Documenta, 2019. Sim Zut, Galeria Quadrado Azul, 2016. Os inquéritos [à fotografia e ao território], CIAJG, 2016. Fotografia Modo de Usar, Documenta, 2015. Singbarer Echo, Galeria Quadrado Azul, 2014. Travessia, Evidência. O Monte Rosa, Galeria Quadrado Azul. Património Arquitectónico da Universidade Nova de Lisboa. 2009. Cahier de Cent Dessins, Galeria Quadrado Azul, 2009. Sítio, Parque de Marim, Faro Capital da Cultura, 2005. Desenho, Assírio e Alvim / Fundação Carmona e Costa, 2003. Trespassa-se Boqueirão da praia da galé 5, Assírio & Alvim, 2000.

Exposições:
2020 A Ilha de Calipso (com Teresa Santos e João Pimenta gomes) Programa Garagem, Appleton Square, Lisboa. Invasor Abstracto, (com colectivo Osso), Convento de São Francisco, Coimbra Lugares de Sophia, Centro Nacional de Cultura,Convento do Carmo, Lisboa. 2019 Geometria Sónica, CIAJ, Guimarães. 2018 Geometria Sónica, Arquipélago, Centro de Artes Contemporâneas, Ilha de S. Miguel, Açores. 2017 QAXXX, Galeria Quadrado Azul,Lisboa. Antena. Galeria Diferença, Lisboa. 2016 Sim Zut, Galeria Quadrado Azul, Lisboa. Os Inquéritos [à fotografia e ao território] Paisagem e Povoamento. CIAJG, Guimarães / Museu Nacional de Etnologia, Lisboa. 2015 Quase meio-dia / Antes das cinco da tarde / Porta falsa, Galeria Quadrado Azul, Lisboa. MNAA / Fundação EDP, Museu Nacional de Arte Antiga / Fundação EDP. 2014 Quase meio-dia, Appleton Square, Lisboa. Singbarer Echo, Galeria Quadrado Azul, Lisboa. 2013 Figure of Collapse, Parkour, Lisboa. Abcedário, Ar.Co, Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa. 2012 Formas e Forças, Galeria Quadrado Azul, Porto. Movente e Dormente, Appleton Square, Lisboa. 2011 Hou Negro, Galeria Quadrado Azul, Lisboa. ARCO, Feira de Arte de Madrid. Galeria Quadrado Azul, Madrid, Espanha. 2009 Travessia. Evidência. O Monte Rosa, Galeria Quadrado Azul, Porto. Cahier de Cent Dessins, Galeria Quadrado Azul, Lisboa. 2008 Desenhos / Diaporama, Avenida 211, Lisboa. 2007 Mnemósina, Convocação (Modo Maior e Modo Menor) – Obras de Fernando Calhau na Colecção da Fundação Calouste Gulbenkian, Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Lisboa, Portugal (com Tomás Maia). Desenhos e Fotografias, Assírio & Alvim, Lisboa. 2006 Veado, diaporama, Sala do Veado, Museu Nacional de História Natural, Lisboa, Portugal. Sítio, Parque de Marim, Parque Natural da Ria Formosa, Faro Capital da Cultura. 2003 O Medo, programa Os Dias de Tavira, Tavira. 1999 Distracção, com Teresa Santos, Projecto Slow Motion, ESAD, Caldas da Rainha. Paisagens no Singular, Instituto de Arte Contemporânea / Ministério da Cultura. 1992 Imobilidade do plano sobre paisagem de aluvião, Boqueirão da praia da Galé, Lisboa.