EIRA #3
Artists, researchers and collectives in residence: ESAD´s students; Beatriz Cantinho & Túlio Rosa; Carla Castiajo; Cláudio de Pina; Fado Bicha; Grémio Caldense; Lantana (Anna Piosik, Carla Santana, Helena Espvall, Joana Guerra, Maria do Mar e Maria Radich): Martinha Maia; Preto Mate (Joana Guerra, Pedro Melo Alves e Ricardo Jacinto); Red Cloud Teatro de Marionetas; Sonoscopia; Teresa Luzio; Victoria Lucas and Viviana González Méndez.


CONVERSAS
ALUNOS DA ESAD

Alunos de Artes Sonoras, Curso de Som e Imagem – ESAD-CR IPLEIRIA
No contexto da cadeira de Artes Sonoras do 3º ano do curso de Som e Imagem da ESAD das Caldas da Rainha, foi proposto aos alunos criarem uma peça sonora de 6 minutos para a plataforma Eira. Nesta cadeira os alunos desenvolvem vários trabalhos relacionados com as Artes Sonoras, como exercícios de escuta, caminhadas sonoras, composições acusmáticas e projectos de instalações sonoras. Para este trabalho foi pedido aos alunos que pensassem uma peça especificamente para a radio enquanto dispositivo de transmissão sonora (FM e Online) com emissão programada.

BEATRIZ CANTINHO E TÚLIO ROSA

“Arquivo Atlântico”
Arquivo Atlântico é um projeto de investigação que propõe pensar a colonialidade a partir da elaboração de um arquivo, um conjunto de textos, imagens, relatos e gestos que tem o potencial de informar e problematizar o presente.

Historicamente, o oceano Atlântico tem sido ponto de convergência entre diferentes lugares, universos e práticas, atravessados por uma história comum de violência e colonização, mas também de intercâmbio e invenção. O Atlântico opera simultaneamente como conceito político e território cultural, um espaço de cruzamentos e travessias que informa e forma identidades múltiplas.

Num primeiro ciclo, o projeto assume a forma de um ensaio literário, e relata experiências entre Portugal, Brasil e Angola, evocando múltiplas formas em que a memória do processo colonial atravessa e determina o presente. Aqui, o Atlântico serve como ponto de partida e marco conceptual para invenção de um território especulativo.

Como pensar o território para além das lógicas do estado-nação, das fronteiras desenhadas em linha reta, ou categorias fixas de pertencimento? Como pensar o agenciamento de suas diferentes matérias e práticas de identificação para além de lógicas binárias? Ou ainda, seguindo a pista de Denise Ferreira da Silva, como podemos observar a diferença e a singularidade dessas matérias arquivísticas sem produzir separabilidades?

Um projeto de investigação de Beatriz Cantinho e Túlio Rosa, desenvolvido no contexto das residências de investigação da Osso Coletivo, e conta com apoio da Hosek Contemporary e da Mala Voadora, e a colaboração de Talma Salem e Juan Valente.
O projeto é também parte da pesquisa desenvolvida por Túlio Rosa no contexto do programa de pós graduação a.pass {advanced performance and scenography studies}.


Beatriz Cantinho é Doutorada em Dança e Filosofia pela Universidade de Edimburgo. Coreógrafa independente e investigadora nos laboratórios do CHAIA – Universidade de Évora e CIAC – Universidade do Algarve. O seu trabalho de há uns anos a esta parte, centra-se numa análise crítica do movimento de dimensão estético/política, considerado enquanto prática coreográfica expandida, que serve de suporte à sua investigação e criação artística.

Túlio Rosa é coreógrafo e pesquisador vinculado ao programa de pós graduação e investigação artística a.pass {advanced performance and scenography studies}. Seu trabalho orienta-se por questões relativas ao corpo e a imagem na contemporaneidade, e seu status em relação ao nosso imaginário político e social. www.tuliorosa.com

CARLA CASTIAJO

Papel perfurado para fio de bordado
Os Bordados das Caldas são de difícil datação mas, dada a sua denominação (Bordados das Caldas da Rainha ou da Rainha Dona Leonor), pensa-se que recuem ao tempo em que a rainha Dona Leonor, esposa de D. João II, administrava o seu hospital. Nos tempos livres, equaciona-se que, em conjunto com as suas aias, realizasse lindos trabalhos bordados, com hipotéticas influências indiana, espanhola ou veneziana. Acredita-se também que a rainha Dona Leonor dirigia “Serões de Agulha” onde senhoras da região acorriam para aprenderem a arte de bordar.
O cartão perfurado foi inventado por Joseph-Marie Jacquard em 1801, como projeto inicial de um “tear” automatizado. É um cartão que, pela presença ou ausência de furos em posições predefinidas, representa informação, sendo considerado o precursor da memória dos computadores.
Estas foram as referências usadas para a criação da oficina pensada para os utentes da IPSS de São Gregório que, provavelmente, devido às restrições atuais e por questões de proteção individual, será realizada em casa. Por isso, foi pensada para ser fácil de realizar e com o propósito de ser um exercício relaxante. Com o papel que será perfurado e o fio de bordado pode criar-se um cartão harmonioso para ser pendurado ou para ser oferecido a alguém especial.


Carla Castiajo Carla Castiajo licenciou-se em Arte e Design, em 2003, na ESAD, Matosinhos, Portugal. Concluiu o mestrado em Belas-Artes, em 2006, na Konstfack, Estocolmo, Suécia. Finalizou o doutoramento, em 2016, na Estonian Academy of Arts, Tallinn, Estónia. O tema da sua pesquisa artística foi Purity or Promiscuity? Exploring Hair as a Raw Material in Jewellery and Art. Lecionou em diversas universidades em diferentes países, como a Beaconhouse National University, Paquistão, a Oakham School, Oakham, Inglaterra, a ESAD, Matosinhos, Portugal, a Estonian Academy of Arts, Tallinn, Estónia, e a Academy of Fine Arts and Design, Bratislava, Eslováquia.
O seu trabalho tem sido apresentado em diversas exposições em diferentes países.
Carla Castiajo cruza no seu trabalho as áreas de arte e joalharia.
+ info: https://carlacastiajo.wordpress.com/

CLÁUDIO DE PINA

Este projecto concerne a realização dos estudos de órgão de György Ligeti (1923-2006), Harmonies (1967) e Coulée (1969) através de programação em computador. Tem como objectivo simular o espaço reverberante de uma igreja e o som de um órgão de tubos. As obras indicadas usam técnicas expandidas, pouco usuais neste instrumento. Desta forma é expandida a capacidade sonora do instrumento que o público desconhece.
Entende-se que o objectivo final de Ligeti seria o de produzir uma nova gama de sons. Ligeti convida o intérprete a ser inventivo e a procurar soluções. Em suma, a devida interpretação destes estudos de órgão requerem uma investigação artística, possível de ser recriada em computador.
Ao usar programação em computador é possível relocalizar a reverberação de uma igreja noutro espaço, recorrendo a vários altifalantes. Com convolução de impulsos de resposta consegue-se emular a reverberação onde usualmente residem estes instrumentos. No que concerne ao som produzido pelo instrumento, recorre-se a técnica de digitalização das mencionadas técnicas expandidas e a sua posterior manipulação. Desta forma desmonta-se o instrumento e a sua acústica, tornando possível remontá-lo noutro local, expondo estas obras em locais sem reverberação e instrumento. Esta abordagem tem ramificações com a música acusmática. A recriação por computador destes estudos desembocam numa interligação com as peças electrónicas de Ligeti, Glissandi (1957) e Artikulation (1958).


Cláudio de Pina,Organista, improvisador e compositor. Investigador no GIMC/CESEM. Organista titular do órgão histórico da Paroquial da Ajuda. Estudou no Instituto Gregoriano de Lisboa, Hot Jazz Clube e Engenharia Física (FCUL). Estudou com Annette Vande Gorne, Gilles Gobeil, Trevor Wishart, Hans Tutschku, Jaime Reis, Åke Parmerud, Adrian Moore, Eurico Carrapatoso e César Viana. Mestre em Artes Musicais (FCSH). Candidato a doutoramento em Artes Musicais na área do órgão e música electroacústica (ESML/FCSH). O seu domínio de actuação científica centra-se em; análise musical, composição, música electroacústica, acústica, síntese sonora, órgão e interpretação. Seu trabalho artístico já foi premiado, editado e publicado a nível global.

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade de Lisboa (ESML/FCSH)
https://claudiodepina.weebly.com/

FADO BICHA

O Fado Bicha vai ocupar uma emissão da EIRA e tentar criar uma representação sonora de uma possível realidade queer no Portugal do século XXI, principalmente através da música mas também com poesia, histórias e referências pessoais e uma entrevista a uma pessoa convidada.


O Fado Bicha é um projecto musical e activista criado e desenvolvido por Lila Fadista, na voz e letras, e João Caçador, nos instrumentos e arranjos. No palco, permitem-se uma exploração inédita dentro do universo do fado, ultrapassando as barreiras de género rígidas do fado tradicional e criando narrativas para temas que não tinham ainda expressão. O projecto assume-se de intervenção, começando na representatividade da comunidade LGBTI, e adensando-se pelos temas que abordamos e as posições em que nos colocamos, falando sobre género, colonialismo, racismo, feminismo e direitos dos animais, por exemplo. O que trazemos é basicamente uma subversão da regra heteronormativa, muito forte no meio do fado tradicional, e na sociedade portuguesa em geral, reclamando o direito de nos apropriarmos de um património que é nosso também e de o explorarmos de acordo com as nossas identidades e experiências, o que, no fundo, é a base de qualquer processo artístico, seja ele encarado como subversivo ou não.

+ info: https://www.youtube.com/watch?v=OGEcDeg81zE

GRÉMIO CALDENSE

Sendo essencialmente um colectivo que se dedica à programação cultural, o Grémio vê nesta residência a oportunidade de criação de projectos sonoros inspirados no trabalho, colaborações e afinidades que desenvolveu até agora.
Para a terceira edição da EIRA o colectivo irá apresentar uma nova programação, com a transmissão em diferido dos concertos gravados para a EIRA #3, Simorgh (de João Lobo, com Norberto Lobo e Soet Kempeneer) e do quinteto com João Almeida, Álvaro Rosso, João Valinho, Marcelo Dos Reis e Albert Cirera, e em direto os concertos de Chão Maior, Joana Guerra e Peter Gabriel Duo, inseridos na programação do Lambda – Mostra de Ondas Sonoras e Visuais, com emissões a partir da Igreja do Espírito Santo e do Centro de Artes das Caldas da Rainha. A grelha completa-se com os concertos gravados nas edições anteriores da EIRA e outros momentos que fazem parte do arquivo do Grémio.


O Grémio Caldense é uma associação sediada nas Caldas da Rainha, que se dedica à programação cultural de natureza artística. A funcionar desde Maio de 2015, o coletivo organizou até ao momento cerca de uma centena e meia de eventos de carácter essencialmente alternativo, diferenciados entre concertos, feiras de edição independente, sessões de cinema e poesia, performances e exposições de artes visuais. Sem sede fixa para as suas actividades, actua numa diversidade de espaços da cidade, desde museus, espaços públicos, salas convencionais e recintos improvisados, sendo vários os parceiros com quem já colaborou, instituições públicas, entidades privadas e outros grupos associativos.
Pela presença equilibrada entre artistas nacionais e estrangeiros na sua programação, o grupo tem colocado as Caldas da Rainha num circuito internacional ligado à cultura artística de carácter contemporâneo e independente.

LANTANA

Lantana é um sexteto de música improvisada/experimental que reúne algumas das mais criativas improvisadoras do panorama português na última década : Anna Piosik (trompete), Helena Espvall (violoncelo), Joana Guerra (violoncelo), Maria do Mar (violino), Carla Santana (electrónica) e Maria Radich (voz).
Após a estreia do grupo nas “MagaSessions” em Lisboa, as Lantana são convidadas por Lula Pena para colaborar em três concertos desenvolvidos em residência artística na Galeria Zé dos Bois, entre Abril e Junho de 2019. Depois disso, apresentam-se no Festival Lisboa Soa 2019 e no Festival Jazz ao Centro 2019, concerto esse que figurou na lista de melhores concertos do ano segundo a jazz.pt. Participaram este ano no Festival Jazz 2020 com um concerto no anfiteatro ao ar livre da Fundação Calouste Gulbenkian, e no WarmUp do Festival de Cinema IndieLisboa.
As Lantana estão, neste momento, a preparar o seu disco de estreia.
+ info: https://soundcloud.com/lantanamusica

MARTINHA MAIA

Do Jardim do Éden, à passagem por o Jardim das “delícias” de Epicuro, no curso do Jardim das Oliveiras e em confronto com o do Jardim das Aflições, eu encontro o meu jardim.
São pequenos esboços da minha experiência do sensível, na qual coloco a minha voz em auxílio da minha mão.


Martinha Maia, nasceu em São Mamede do Coronado em 1976.
Licenciou-se em Artes Plásticas em 2000 na ESAD das Caldas da Rainha
Vem desenvolvendo trabalho desde 2000, utilizando a performance, o vídeo, a instalação e o desenho como principais meios de expressão.
Fez parte de inúmeras exposições, tais como: 30 artists under 40, Stenersen Museum, Oslo, 2004; j´en rêve, Foundation Cartier pour l’art Contemporain, Paris, 2005; Sobre Barroco, Casa de Velázquez, Madrid, 2007; Muyethlek, Museu de Arte Maputo, Maputo, 2008; A “fluxus” thing 2, Exhibition and Performance Night in Fetish & Consumption, at Stuttgart Academy, in 2008; De sensu et sensato, Espaço Tranquilidade, 2012; 30 anos dos CAM, Ciclos de performance, CAM, Lisboa, 2013; Da fábrica que desvanece à baía do Tejo, Parque Empresarial Baía do Tejo (Quimiparque), Barreiro, 2014; Imaginarius, Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor, 2018; Poética do Obtuso, Quase Galeria, Porto, 2019; Coleópteros, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, 2019; Qualquer coisa contrária à natureza, Caos, Casa d’arte e ofícios, Viseu, 2019; Uma espécie de lugar, O Armário, Lisboa, 2020. Vive e trabalha no Porto.

PRETO MATE

Preto Mate é a teia onde confluem dois violoncelos, a expansão electrónica de Ricardo Jacinto, a multipercussão de Pedro Melo Alves e os cantos obscuros de Joana Guerra. Cordas e percussão fundem-se numa música improvisada com ecos do século XX e um carácter profundamente imersivo.

Joana Guerra: violoncelo e voz
Pedro Melo Alves: bateria e percussão
Ricardo Jacinto: violoncelo e eletrónica

RED CLOUD TEATRTO DE MARIONETAS

Planeta Plip
Um pequenino Planeta de sons
Um Planeta de bolacha
a cada que dia que passa
Um bolo de planeta no jardim do planeta
Ordenados e desordenados
Pairam uns de pernas outros de cabeças

Workshop a partir do espetáculo para a infância PLIP. Com base no processo criativo do espetáculo, os participantes irão idealizar e criar o seu planeta móvel e particular, passando pelas etapas inerentes à criação artística, de um universo criativo aberto sempre em transformação. Os participantes serão, ao longo de um período de dias, introduzidos ao planeta Plip, que servirá de motor e inspiração, através de pequenos desafios lançados. No final, cada participante terá o seu kit Plip (peças de uma marioneta semelhante a uma personagem do espetáculo), que será montada como um lego e animada sob a orientação dos formadores.
racter in the show), which will be assembled like a lego and animated under the guidance of the trainers.

Podcats
Rádio Plip


A Red Cloud Teatro de Marionetas,é uma companhia portuguesa, sediada em Aveiro, fundada em 2013. Participa em Festivais nacionais e internacionais de Teatro de e com Marionetas, apresentando-se a crianças e adultos.
Com base no mote Marionetas em Movimento, amplia o conceito de Marioneta. Investiga e desenvolve a sua linguagem contemporânea na criação regular de espetáculos e posterior circulação. Num limbo entre a tradição e a atualidade cumpre também a missão de preservação, divulgação e circulação da tradição popular portuguesa de marionetas “Teatro Dom Roberto”.
Opera em 4 eixos fundamentais:
Experimentação, Criação e itinerância de espetáculos,
Desenvolvimento da sua linguagem em contexto contemporâneo com o foco na experiência cinemática do teatro,
Preservação e difusão do “Teatro Dom Roberto”,
Resgate e alargamento de públicos através das áreas artísticas do contexto teatral em que opera.
+ info: https://redcloudteatro.wixsite.com/red-cloud

SONOSCOPIA

Coded time signals
Sistemas de comunicação invisíveis, sinais de fumo digitais e códigos de ética das comunidades experimentais emitidos a partir da Sonoscopia.

Gustavo Costa, laptop
Jan Solcani, laptop
João Ricardo, laptop

Som Desorganizado
Som Desorganizado é um encontro anual promovido pela Sonoscopia e que procura agregar ideias de exploradores sonoros inovadores. Centra-se na apresentação e discussão de obras artísticas, coletivos de criação e novas direções musicais. De uma perspectiva mais abrangente, o Som Desorganizado é também uma reflexão sobre o próprio significado do som, e sobre a forma como pode ser organizado em artefactos musicais.


Sonoscopia é uma associação para a criação, produção e promoção de projetos artísticos e educacionais centrados principalmente nas áreas de música experimental e pesquisa sonora.
+ info: www.sonoscopia.pt

TERESA LUZIO

Dois cadernos: fragmentos e exercícios
A residência de investigação incide no cruzamento entre a minha prática artística interdisciplinar e a prática de docente no ensino superior (ESAD.CR). Durante a residência pretendo dar início à laboração de dois cadernos; o caderno de fragmentos que consiste em reunir citações já pesquisadas, mas que se encontram dispersas. E o caderno de exercícios, onde pretendo reunir exercícios de movimento, micro ações poéticas, que pratico e disponibilizo aos meus alunos, indoor e outdoor. A residência é a oportunidade para marcar um momento da minha investigação a/r/tográfica; desenvolver e aplicar métodos artístico-pedagógicos que surgem das relações entre a minha prática artística e a prática artística do aluno na descoberta da performance, assente na performance ao vivo, destinada a encontrar uma transcrição visual, sonora ou espacial, ou ligada ao processo criativo.


Teresa Luzio (*1976) Livros-artista, vídeos analógicos e fotografias são vestígios das suas performances, definidos por nenhum público presente, ou a sua presença é coincidência. O seu trabalho surge do que ela observa, seja um lugar, um objecto ou uma situação, para perturbar a sua configuração, para se atravessar nelas como uma forma de vivenciar as coisas. Teresa é graduada entre Portugal e a Alemanha. Tem um Mestrado em arte pública e novas estratégias artísticas (Weimar) e um Doutoramento em performance (FBA.UP). Leciona na ESAD.CR desde 2008.

VICTORIA LUCAS

No seu livro O Pós-Humano, Rosi Braidotti sugere que o humanismo ‘implica a dialética do eu e do outro’, de forma a que ‘os outros sexualizados, racializados e naturalizados’ sejam ‘reduzidos a um estatuto de corpos descartáveis’ (2013). A filosofia pós-humana rompe com este modelo humanista, em que o “ele” está no centro dos valores corporais, mentais, discursivos e espirituais. O Entrelaçamento (2020) é uma peça áudio que descreve o demolir das fronteiras físicas entre corpos humanos e não-humanos. Numa pedreira abandonada onde uma colónia matriarcal de musgo prospera na ausência deixada pela extração, a artista é reclamada pelo musgo e absorvida pela rocha antiga que o musgo cobre. O Entrelaçamento posiciona as ideias de pós-humano de Braidotti como um enquadramento que oferece o potencial para desestabilizar as construções culturais de identidade, enquanto proporciona a oportunidade para uma transformação lúdica no local.


Victoria Lucas (b.1982, UK) é artista e investigadora actualmente a fazer um doutoramento na Sheffield Hallam University (SHU) em Inglaterra. É também professora de artes visuais na Universidade de Central Lancashire (UCLan), artista residente na Site Gallery e membro da rede YSI Sculpture Network 2020. A sua prática incorpora formas esculturais em diálogo com vídeo, fotografia, som e performance. Victoria usa a tecnologia como forma de re-mapear, incorporar e envolver estratos materiais, processos sobre os quais a subjetividade do feminino é reimaginada in situ.

Sheffield Hallam University, England (SHU)
www.victorialucas.co.uk

VIVIANA GONZÁLEZ MÉNDEZ

O tópico principal deste projecto de investigação-artística, como parte do seu doutoramento, é a paisagem como género artístico bem como a questão geográfica. Aqui, paisagem é entendida sob uma perspetiva que prioriza a experiência do espaço de perto e por dentro, em oposição a uma experiência de distante e de exterior. O projeto toma como referência perspetivas não ocidentais de desenhar cartografias bem como imagens de espaços que valorizam o toque em vez da ótica, a proximidade em vez da distância, transformação no lugar da representação, fluir, fragmentos, descobertas únicas e singulares em vez de uma imagem completa. A metodologia envolve a realização de uma série de ações ou táticas, recolha de objetos, matéria e informação como experiência de um dado espaço. Estes envolveram experiência temporal e espacial em que o corpo, a percepção de proximidade, a memória, a aleatoriedade e o encontro se tornam aliados. Estas ações são determinadas através do acaso.


Viviana González Méndez Viviana González Méndez é uma artista Colombiana com estudos em artes plásticas, estética e teoria artística. Ela tem exposto em países como Suíça, Bolívia, Alemanha e Colômbia. O seu trabalho aborda e questiona espaços urbanos e rurais e cartografias experimentais, usando como veículo a instalação artística. Está a fazer um doutoramento entre o programa de Artes Visuais e Teoria Cultural da Faculdade de Zurique na Suíça, e a Universidade de Art e Design em Linz na Áustria.

Zurich University of Fine Arts (CH)/University of Art and Design Linz (AT)
http://cargocollective.com/vivianagonzalezm